terça-feira, 22 de abril de 2008

FISIOLOGIA DA LACTAÇÃO

1. INTRODUÇÃO


O início da lactação se dá com a produção de leite, que ocorre nos alvéolos das glândulas mamárias. O leite sai dos alvéolos e caminha até o mamilo através dos ductos lactíferos.

O estrogênio associado aos hormônios da tireóide, os corticosteróides adrenais e a insulina fazem com que haja o desenvolvimento das mamas. Este desenvolvimento vai ser acentuado através da ação da progesterona, que também produz a proliferação dos ductos.

Durante a gravidez, há a necessidade de uma proliferação dos alvéolos e dos ductos para a lactação. Isto ocorre devido à ação dos hormônios progesterona e estrogênio.

A prolactina aumenta homogeneamente durante a gravidez, e é aumentado após o parto e durante a lactação. A prolactina é inibida pela presença do estrogênio e da progesterona, ao final do trabalho de parto há queda no nível desses hormônios possibilitando o aumento da prolactina e, assim, o início da produção do leite.

A sucção do recém nascido é o responsável pela secreção de prolactina. Isso acontece porque quando o bebê faz sucção nos mamilos, estimula o hipotálamo a secretar fator liberador da prolactina, mantendo seus níveis e, conseqüentemente, a produção do leite. Essa produção só reduzirá ou estancará completamente se a mãe não amamentar seu filho.

A sucção do mamilo também estimulará a produção de ocitocina pela hipófise anterior. Esse hormônio desempenha importante papel na lactação, pois ele é o responsável pela ejeção ou “descida do leite” dos alvéolos mamários aos mamilos. Isso ocorre porque a ocitocina secretada pela hipófise cai na corrente sangüínea e irá promover a contração da musculatura lisa ao redor dos alvéolos, promovendo a descida do leite até os mamilos.

O leite só é produzido após o primeiro dia, sendo a secreção das primeiras horas após o parto o colostro, líquido aquoso, amarelado, que contém anticorpos maternos que irão proteger o bebê ao longo da sua vida extra-uterina.

2. O PAPEL DOS HORMÔNIOS NA LACTAÇÃO:


A glândula mamária é um tecido especializado e adaptado morfo-fisiologicamente para prover alimento às crias que nascem em total estado de dependência da mãe, ela mediante secreção, conhecida como leite, entrega à cria um produto balanceado que garante a vida do neonato. Essa característica nos mamíferos faz alguns pesquisadores consideram as glândulas mamárias um órgão reprodutivo anexo, dado que é através da sua secreção que garante a nutrição básica para continuarem o seu desenvolvimento extra-uterino.

A reprodução e lactação são partes do mesmo processo, onde a fisiologia da lactação está relacionada com a fisiologia dos processos reprodutivos. A maior parte do processo de desenvolvimento estrutural da glândula mamária ocorre durante a gestação, desenvolvendo, nesta fase, duas tarefas independentes e sinérgicas. Por um lado fornece provem as necessidades básicas do feto na fase intra-uterina e por outro desenvolve a glândula mamária que garantirá o alimento ao recém nascido.

Alguns hormônios que são responsáveis pela gestação também desenvolvem a glândula mamária (mamogênese) e próximo ao parto é iniciada a função secretora por parte da glândula (lactogênese).

2.1 DESENVOLVIMENTO DAS MAMAS:

As mamas começam a se desenvolver na puberdade com o estímulo do estrogênio dos ciclos sexuais mensais da mulher adulta. O estrogênio estimula o crescimento da glândula mamária e a deposição de gordura para dar massa às mamas. Durante a gravidez as mamas tem um crescimento ainda maior em função dos altos níveis de estrogênio.




As glândulas mamárias podem ser comparadas ao um cacho de uvas, onde os ductos seriam os talos (porção anterior na figura em cor vermelha) e os lóbulos e alvéolos as uvas (porção posterior, ramificações demonstrada em rosa na figura).

2.1.1. CRESCIMENTO DO SISTEMA DOS DUCTOS – PAPEL DOS ESTROGÊNIOS:

A enorme quantidade de estrogênio secretado pela placenta, durante a gravidez, promovem um desenvolvimento ainda maior das mamas, aumentando o estroma e a deposição de grande quantidade de gordura, como também a ramificação do sistema de ductos. Outros hormônios também estão envolvidos no desenvolvimento dos sistemas de ductos, são eles: o hormônio do crescimento, a prolactina, os glicocorticóides adrenais e a insulina. Como cada um deles desempenha função no metabolismo das proteínas, presume-se a sua função no desenvolvimento mamário.

2.1.2. DESENVOLVIMENTO DO SISTEMA LÓBULO-ALVEOLAR – PAPEL DA PROGESTERONA:

A progesterona age de modo sinérgico com todos os hormônios que formaram os ductos, especialmente com o estrogênio, provocando o crescimento dos lóbulos e dos alvéolos. Essas alterações são análogas aos efeitos secretores da progesterona sobre o endométrio do útero durante a segunda metade do ciclo menstrual feminino, explicando certo desconforto nas mamas durante esse período menstrual.

2.2. INÍCIO DA LACTAÇÃO:

A prolactina é o hormônio secretado pela hipófise anterior, e sua concentração no sangue aumenta uniformemente desde a quinta semana de gestação até o nascimento, após o parto aumenta de 10 a 20 vezes em relação ao nível normal antes da gravidez. A prolactina tem a função de promover a secreção do leite. Entretanto o estrogênio e a progesterona funciona como antagonista inibindo a própria secreção do leite. A secreção de somatomamotropina coriônica humana (hormônio relacionado à nutrição do feto) pela placenta mantém a prolactina da hipófise materna durante a gestação, mesmo assim os efeitos do estrogênio e progesterona inibem a secreção do leite além de pequenas gotas diárias durante o período gestacional. Logo após o parto os níveis de estrogênio e progesterona produzidos pela placenta tem queda acentuada, permitindo o efeito lactogênio da prolactina da hipófise materna assuma seu papel natural da secreção do leite. A produção do leite requer a secreção de outros hormônios maternos imprescindíveis à formação da composição do leite rico em aminoácidos, ácidos graxos, glicose e cálcio, são eles: o hormônio do crescimento, cortisol, o hormônio paratireóideo e a insulina.

Após o nascimento da criança os níveis de secreção de prolactina voltam aos níveis normais não-grávido, entretanto quando a mãe amamenta o filho, os receptores nervosos dos mamilos atingem o hipotálamo, provocando secreção de prolactina maior de 10 a 20 vezes, permanecendo elevado por até uma hora. Caso esse surto seja cessado, ou por lesão no hipotálamo ou hipofisária ou, também, caso ocorra à paralisação do aleitamento, a mama produzirá leite por em média mais uma semana. Caso a criança continue sugando a produção do leite continuará por vários anos, entretanto em menor quantidade a partir dos sete a nove meses do parto.

2.2.1. O CONTROLE DA SECREÇÃO DE PROLACTINA PELA HIPÓFISE:

Sabe-se que o hipotálamo controla a secreção de quase todos os hormônios da hipófise anterior inclusive a prolactina. Entretanto o controle da prolactina difere dos demais hormônios: o hipotálamo estimula a produção de todos os hormônios, mas inibe a produção da prolactina. Assim lesões do hipotálamo ou do sistema de condução porta-hipotálamo-hipofisário aumentam a secreção de prolactina e inibe a secreção dos outros hormônios da hipófise anterior. Poderemos concluir que a secreção da prolactina seja controlada por um fator inibidor do hipotálamo e transmitido para hipófise pelo sistema porta-hipotálamo-hipofisário. Esse fator é denominado hormônio de inibição da prolactina.


Desenho esquemático do sistema porta-hipotálamo-hipófise

2.2.2. INTERRUPÇÃO DO CICLO MESTRUAL EM MÃES DURANTE A AMAMENTÃO:

Na maioria das mães que amamentam, o ciclo ovariano não aumenta enquanto não retorna até algumas semanas após o desmame da criança. Isso parece ter relação ao ato que os mesmos sinais nervosos das mamas para o hipotálamo que induzem a secreção da prolactina durante a amamentação, devido à utilização dos sinais nervosos ou por efeito da secreção da prolactina aumentada, a secreção do hormônio de liberação das gonadotropinas pelo hipotálamo são inibidos, interrompendo a formação dos hormônios gonadotrópicos hipofisário (o hormônio folículo-estimulante e o hormônio folículo luteinizante). Observam-se alguns casos, principalmente em mães que não amamentam parte do tempo, o retorno da secreção dos hormônios gonadotrópicos suficiente para restabelecer o ciclo sexual mensal.

2.3. A FUNÇÃO DA OCITOCINA – EJEÇÃO DO LEITE:

O leite é secretado no interior dos alvéolos das mamas, mas não é diretamente conduzido para o sistema de ductos, não sendo espontâneo o vazamento aos mamilos. O leite precisa ser ejetado do interior dos alvéolos para os ductos e daí para os mamilos. A ocitocina terá também papel importante no fenômeno da amamentação.

A mamada do lactente provoca transmissão de impulsos sensoriais pelos nervos somáticos dos mamilos para a medula espinhal da mãe e, daí para o hipotálamo, promovendo a secreção da ocitocina juntamente com a prolactina. A ocitocina secretada cai na corrente sanguínea e irá provocar a contração dos alvéolos, fazendo fluir o leite para os ductos, promovendo a ejeção ou descida do leite. O efeito da sucção da mamada garante a ejeção do leite nas duas mamas.

Mecanismo da ejeção do leite

2.3.1. INIBIÇÃO DA EJEÇÃO DO LEITE:

Perturbações de ordem psicológicas, como o estresse, ou até mesmo hiper estimulação do sistema nervoso simpático, por ação da adrenalina, inibem a secreção de ocitocina e conseqüentemente a ejeção do leite. Por tanto para uma boa amamentação a mãe deverá ter um puerpério sem complicação.
3. CONCLUSÃO:

Após o nascimento somos completamente dependentes da mãe, quem nos supre através do leite a nutrição balanceada que nos garantirá a vida neonato. A lactação constitui fator primordial para perpetuação da espécie humana, sem a qual a sobrevivência não seria possível.

Conhecer o papel dos hormônios envolvidos e o mecanismo de formação das glândulas mamárias (mamogênese) e da formação do leite (lactogênese) é de grande valia a todos os profissionais da área da saúde, em especial o profissional enfermeiro, pois a enfermagem é a única que estará presente em todas as fases da gestação (pré-natal, parto e puerpério). Portanto o bom aproveitamento nos estudo sobre mamogênese e lactogênese em muito nos ajudará nas nossas vidas profissionais, pois ciência desses mecanismos nos permitirá explicar as gestantes sobre cada fase por ela vivida, como também orientar e estimular o aleitamento materno.

4. BIBLIOGRAFIA


GERALD, Tartora: Princípios de Anatomia e Fisiologia 9ª ed. GUANABARA KOOBAN, 2002.

GUYTON, Artur C. HALL, John. Fisiologia Médica 10ª ed. Rio de Janeiro: GUABARA KOOGAN, 2002.

CAMPBELL, Mary K. Bioquimica, 3ª ed. Porto Alegre: ARTMED, 2005.


Sítios Consultados:

http://www.biobras.com.br/

http://www.pucpr.br/

http://www.saude.df.br/

http://www.ufsc.br/

http://www.amb.org.br/

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